Em busca das maçãs podres - Programas de disque-denúncia de empresas ajudam a combater deslizes éticos. E revelam o lado obscuro dos ambientes de trabalho
Revista Exame - Editora Abril - 00889
March 22, 2007
Casos de abuso de poder, fraudes e desvios de recursos acontecem em todas as empresas. No entanto, ainda poucas delas encaram esse tipo de problema com rigor e transparência -- a tendência geral é varrê-los para debaixo do tapete. A multinacional de produtos eletrônicos Philips é uma exceção. A empresa mantém um programa batizado de One Philips Ethics Line para receber denúncias anônimas de funcionários que queiram relatar supostas irregularidades cometidas pelos colegas. A exceção não está na existência da linha -- mas em como a empresa trata as informações que chegam por ela. O programa, criado no Brasil em 2001, foi estendido para filiais da Philips em 71 países.
Segundo a Association of Certified Fraud Examiners, organização que combate crimes do colarinho branco nos Estados Unidos, as fraudes corroeram cerca de 5% do faturamento das empresas americanas no ano passado. Corporações que implantaram as chamadas linhas éticas diminuíram o prejuízo pela metade. Além disso, essas companhias tiveram outros ganhos, mais difíceis de ser medidos.
Acrescentar o ingrediente ética à imagem costuma agradar consumidores e, especialmente, investidores. As empresas que compõem o índice Dow Jones de sustentabilidade -- no qual os códigos de conduta contam pontos -- apresentam desempenho consistentemente superior às demais. Nos últimos cinco anos, por exemplo, as ações dessas empresas tiveram valorização 3% maior que as de empresas convencionais.
